domingo, 23 de janeiro de 2011

Paris: ah o Charles De Gaulle!

Foto: O que dizer de ti Barca de Íris? Paris, 21/01/2011. F&MP.
    
     Após um voo turbulento de Praga, com direito a neve nas asas do avião, parada para limpeza da aeronave e algumas chacoalhadas ao longo do percurso de 2h, enfim chegamos na bela Paris a partir do Aeroporto Charles De Gaulle (que está situado na Grande Paris), 1h da madrugada do dia 21/01.

      Depois de pegarmos as nossas bagagens eu Paulinha penamos para acharmos uma simples saída num aeroporto que mais parece uma cidade. Sem exagero algum, andamos por mais de 15 minutos e não encontrávamos a saída de jeito algum. Pânico e aflição!

      Até que uma alma caridosa, um funcionário do aeroporto, decidiu nos ajudar e nos levou até o ponto onde tomaríamos um ônibus até Gare de L'est, o lugar mais próximo do hotel onde nos hospedaríamos. O caro leitor deve está se perguntando: Por que não pegaram um taxi? Acertei? Acredite, um taxi do Charles De Gaulle à Opera Bastille sai pela bagatela de 90 euros, é mole?


      Então amigos, tratando-se de uma das cidades mais caras do mundo, qualquer tostão de euro economizado é bem-vindo. Assim, do Aeroporto Charles De Gaulle até a Gare De L'est o ônibus (limpo, pontual e seguro, que fique bem claro) custou 7,50 euros. 


     Deste ponto ao Hotel Ibis na Rue Bréguet Sabin o táxi saiu por mais 7,00 euros. Entenderam a diferença? No total, eu e Paulinha gastamos 14,00 euros para chegarmos ao nosso destino, ou seja, uma economia de 76,00 euros.

Praga a pé: parte 2

Foto 1: Malá Strana - Praga

     Para sentir Praga é preciso fôlego para aguentar as longas caminhadas após a Ponte Carlos em direção à ladeira interminável que leva ao Castelo de Praga ou então optar pela longa escadaria com o mesmo destino.

     O certo é que tudo fica mais leve quando se tem em cada esquina, um monumento a céu aberto. Aliás, nem é preciso aguardar as esquinas, cada casa traz um rico detalhe em sua fachada, seja uma pintura, uma escultura, um brasão.

    Para quem curte observar a história através da arquitetura, esta cidade torna-se o maior dos deleites. E o tempo, que parece ter parado em Praga, conservando-a barroca e renascentista, torna-se também o inimigo do turista embevecido, eis que as horas voam, e o céu escurece rápido demais.

    Tanto mais com Flavinho acompanhado da nova paixão, a câmera fotográfica, e que a cada passo dispara um flash, enamorado pela paisagem e pelas lentes da máquina. Era engraçado vê-lo atordoado, com a Nikon em punho, disparando cliks e dizendo: "linda, amor, que linda..."

Foto 2: Praça Municipal, em frente ao relógio astronômico. F&MP

  
     Chegamos ao topo do Castelo de Praga já vigiados pela Lua Cheia. Ver a cidade dourada de um dos seus pontos mais altos, iluminada e encantadora, com o vento frio e cortante no nosso   rosto foi simplesmente inesquecível. Tudo parecia mágico.

Foto 3: Castelo de Praga no findar da tarde.
    A encantadora Igreja de San Vito emoldurada pela luz amarelada cedia-lhe um ar de mistério. Após a visita externa ao castelo, descemos pela escadaria e jantamos em uma pequena Pizzaria com forno à lenha, claro acompanhados da cerveja, para Flavinho, e do vinho para mim (como sempre).

    Aliás, por incrível que pareça os nossos almoços e jantares têm sido muito próximos, senão menores, do que os preços praticados na praça Soteropolitana.

Foto 4: Igreja de San Vito no Castelo de Praga.
Foto 5: a noite chega rápido, por volta das 18h, de mãos dadas com o frio, claro!

O Bairro Judeu (Josefov)

Foto 6: Sinagoga Pinkas (1479) e ao lado, esta charmosa construção em azul e branco
é a sede da antiga prefeitura do bairro judeu, construída entre 1570 e 1577.
    Situado na porção norte da cidade o Bairro Judeu é pura profusão de História e glamour. De um lado  o conjunto de sinagogas seculares, como um testemunho concreto da tradição e da saga do povo Tcheco. Por outro, requinte, beleza e luxo nas suas belas contruções em estilo Art Nouveau, as lojas de grifes famosas, todas localizadas numa rua, cujo nome em Tcheco é bem sujestivo: Pariská. O que acham? 

Foto 7: Rua Pariská, Praga. Loja Prada.
     Numa dessas quase Paulinha incorporou o espírito obsessor de Miranda, aquele famoso personagem da maravilhosa Meryl Streep no filme "O Diabo Veste Prada", lembram? Vixe Maria! Ai nossas contas! Bom, mas foi só um lapso de personalidade, logo, logo minha pequenina caiu em si, rsrsrsr...




     Brincadeiras à parte, o bairro é realmente especial, repleto de charme em cada esquina, da elegância dos seus transeuntes, seus PUBs e Cafés sempre a convidativos se tornam um doce tentação. Mas não se deixe levar pela aparência, uma boa refeição aqui pode sair mais barato que em muito "pé-sujo" metido a restaurante da capital baiana (nossa referência ao menos).

     Para matar quem estava nos matando eu e Paulinha arriscamos entrar num restaurante de nome também sujestivo: "No Stress". 

Foto 9: Restaurante No Stress no Bairro Judeu.
       Acredite, dois pratos imperdíveis, pato e salmão, mais vinho e uma caneca generosa de cerveja tcheca, com direito à sobremesa e capuccino, tudo isso por CZK 1.200,00 (coroas tchecas). Calma, não se assuste com tanta casa decimal, lembra da inflação? Pois então, essa farra saiu por R$ 120,00 (cento e vinte reais). Agora vejamos meu querido soteropolitano: Vá a um restaurante em Salvador de alto padrão, faça uma farra dessa proporção com sua companheira e me diga por quanto saiu a conta no final.

Foto 10: o salmão de Paulinha.

Foto 11: meu delicioso pato.
Boa música para alimentar o espírito

19 de janeiro.

      Um ponto alto da bela Praga é a sua musicalidade. A cidade foi morada e palco nada mais, nada menos que de nomes como Mozart e Beethoven. A noite eu Paulinha fomos a um concertos de cordas de tirar o fôlego. Na saída olha minha pequenina de tiete com o solista nas escadas da Casa Municipal. Aliás, a acústica do lugar é perfeita. Também, não me fiz de rogado e tirei uma foto com o baixista
       


     
      Bom, quando pensei que a noite estava acabando, depois de um dia inteiro perambulando pelas ruas da cidade, eis que Paulinha "supersônica" me faz um convite derradeiro. "vamos ouvir um jazz meu amor?" Por que eu nunca consigo dizer não pra essa moça meu deus? Lá vamos  nós! Ai minha coluna, minhas pernas, tudo dói!


     Excelente pedida! Valeu muito à pena! Este clube de jazz funciona na praça do relógio astronômico num tipo de caverna, ambiente fantástico! A música é mesmo o forte, músicos extraordinários se apresentam por aqui de segunda a segunda, incrível! O Clube chama-se Bíly Konícek (que quer dizer cavalo branco em tcheco).

Museu da Música: fundamental!

Instrumentos de sopro dos séculos 16 à 18.
    Situado na Malá Strana, o Museu da Música guarda um importante e rico acervo de instrumentos musicais, que sobretudo, narram boa parte da História da Música Erudita na Europa, a exemplo do piano usado por Mozart em seu último concerto em Praga.

Piano usado por Mozart em seu último concerto em Praga no sec. XVIII.
     O Museu também conta com um incrível arquivo de audio e video que auxilia o visitante no reconhecimento dos sons típicos dos instrumentos expostos. Fascinante!

Depois do Museu, tomar banho de neve. Acredite!

Como é bom ser criança, mesmo que por um instante.
Pro calor de Salvado, viva a novidade!
Que frio é esse meu Pai Oxalá?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Praga a pé: parte 1


      Um dos segredos para conhecer Praga está na escolha da estadia, por isso, é fundamental privilegiar a localização como critério na hora de decidir onde se hospedar. Como já dissemos anteriormente, os pés são os melhores meio de transporte, portanto, zele por eles, trate-os com carinho pois serão imprescindíveis. Como exemplo, destacamos dois belos monumentos, há dois minutos do hotel onde nos hospedamos. 

     A Casa Municipal onde ocorrem, diariamente, concertos de música erudita e, logo do seu lado esquerdo uma bela torre de estilo gótico, que por CZK70,00 (setenta coroas tchecas), é possível visitar o seu cume e apreciar uma vista estonteante de Praga.

    Aliás, a moeda tcheca é um capítulo peculiar dessa nossa passagem por aqui. Por conta da alta inflação do país a Coroa Tcheca é uma das mais frágeis moedas da Comunidade Européia, o que torna o seu uso no dia-a-dia para seus visitantes um suplício matemático. Por isso mesmo, a República Tcheca não integra a chamada Zona do Euro, que por sinal já anda mal das pernas desde a crise de 2008, com quebradeira na Grécia e Irlanda.

    Mas recebemos uma dica incrível de um transeunte que estava em Praga pela terceira vez e já estava bastante descolado com as enrascadas cambiais por essas bandas. Só podia ser brasileiro! Ele me revelou o milagre numa loja de souvenir, com as seguintes palavras: "pra saber quanto tu tá pagando em Real, é só cortar uma casa decimal". Por exemplo: um almoço que custou CZK 470,00 (quatrocentos e setenta coroas tchecas) sairia, aproximadamente, por R$ 47,00 (quarenta e sete reais). Genial! 

Foto 1: a Casa Municipal em destaque e a torre gótica à esquerda.
Foto 2: a Torre Gótica ao fundo.
Foto 3: vista do cume da Torre.
      A cidade de Praga é divida ao meio, longitudinalmente, por seu rio principal, o Vltava (em português, simplesmente, Moldava). As duas porções da cidade são interligadas por pontes, com destaque para a Ponte Carlos, que liga a Cidade Velha (Staré Mesto) à Malá Strana. A noite a ponte é uma atração romântica irresistível onde se pode observar casais enamorados.

Foto 1: Ponte Carlos. F&MP, 18/01/2011
Foto 2: casal viajeiro sobre a Ponte Carlos. F&MP, 18/01/2011.
     Uma vez na Ponte Carlos, aproveite bastante, ande sem pressa, mantenha os olhos famintos de paisagem. Este belo monumento foi construído em 1357 por ordem do Rei Carlos IV (Karluv) e ficou sendo o único meio de cruzar o Rio Moldava até 1741. A ponte é adornada por trinta estátuas de santos ao longo dos seus 520m de extensão, são realmente, uma atração à parte.

Foto 3: estátua sobre a Ponte Carlos.
            Ah, como podemos nos esquecer? Uma das coisas mais incríveis de viajar é a possibilidade de fazermos novos amigos, muitas das vezes dos lugares mais inusitados. Tratando-se de brasileiros, sempre há um punhado em qualquer lugar do mundo, em certos lugares deste planeta de meu deus, tem até demais. Os argentinos, por exemplo, chamam "carinhosamente" a cidade de Bariloche, no norte do país, de Brasiloche. 


           Sim, mas a questão é que eu e Paulinha conhecemos um casal brasileiro muito bacana, de Florianópolis-SC, Christian e Cristiane. Isso mesmo, não se trata de uma dupla sertaneja, ele é advogado e ela professora de Literatura. Que coincidência não? Foram nossa compainha durante todo dia.

Foto 4: da esquerda para direita, Flávio, Maria Paula, Christian e Cristiane. Praga, 18/01/2011.

       Chegamos na Malá Strana, a parte oeste da cidade. Ao cruzarmos o portal da Ponte Carlos nos deparamos com uma rua central recheada de lojas de souvinir com destaque para os cristais tchecos e matrioscas (um tipo de boneca, em geral, feita em madeira que tem várias delas uma por dentro da outra), símbolo da família, mas especificamente, da matrilinearidade. Por sinal, tirar Paulinha de dentro de uma dessas lojas era uma tarefa bastante difícil.

      Confesso que no fundo eu acabava me divertindo observando-a, completamente desenvolta com os vendedores nas lojinhas de artesanato, com seu inglês preciso. Aliás, a língua inglesa por aqui é quase oficial, todos falam, impressionante.

      Foi algo que nos chamou atenção, das crianças aos idosos, nas ruas, nos museus, todos, policiais, garçons, o mais distraído dos transeuntes quando interpelados por um de nós, aflitos em busca de alguma informação, não falhavam. Incrível! Acredito que a aridez da língua Tcheca e a forte indústria turística de Praga sejam os fatores determinantes para este fenômeno. Quanto ao meu inglês? Nossa, melhor nem comentar! Viva a Paulinha!

Foto 5: Paulinha em uma das tantas lojas de artesanato. Praga, 18/01/2011.
      Essas bonecas são encontradas aos torrões por entre as ruas de Praga, mas num bate-papo com o Sr. Alan (o funcionário do hotel que fez nosso tranfer do aeroporto), ele tirou-me da ignorância e me explicou, que se trata de um artesanal típico da Rússia.

Foto 6: saída da Ponte Carlos em direção à Malá Strana. Praga, 18/01/2011.
Foto 7: final da Ponte Cralos. Praga, 18/01/2011.


Diário de bordo: rumo ao velho mundo

Foto 1: voo Salvador - Praga com conexão em Lisboa. 17/01/2011.


Lisboa, Portugal. 17 de janeiro de 2011.

      Chegamos a Portugal após 8h de vôo às 11h30min, hora local. O dia na capital portuguesa está nublado com temperatura de 12°C. A chegada no aeroporto foi bastante confusa, por conta da sinalização e do atendimento dos funcionários do aeroporto, regado a uma boa pitada de mal-humor.

     Situar-se ficou ainda mais difícil entre corredores e escadas-rolantes intermináveis. Por conta de informações controversas fomos submetidos duas vezes à máquina de raio-x. Tira cinto, bota, celular, laptop, carteira de cédula, gorro, jaqueta. Bom, melhor parar por ai, ainda bem!
    
     Mas diante de toda essa atmosfera de turbulência o humor inabalável de Paulinha é, verdadeiramente, um alento. Seu sorriso no rosto é quase indelével, confesso que as vezes me lembra o famoso “jogo do contente”do personagem Poliana, sem o sentido piegas, é claro.

Foto 2: Maria Paula no Aeroporto Internacional de Lisboa. F&MP, 2011.


     Plantados na sala de embarque do portão 22, agora, estamos à espera do vôo da Lufhtansa com destino à Munique na Alemanha para em seguida fazermos a segunda e última conexão com destino à Praga. 

Munique, Alemanha. 17 de janeiro de 2011.

     Ufa! Estamos quase chegando. Agora são 19h23min. em Munique. Ao contrário dos contratempos que tivemos em Lisboa, o aeroporto daqui é extremamente organizado. O vôo para cá reservou-nos uma surpresa maravilhosa, fomos agraciados com uma vista estonteante das Cordilheiras da Espanha e mais tarde (tratando-se de 4h de vôo), um pôr-do-sol divino da janela do avião, com seus últimos feixes a se debruçarem sobre os Alpes, entre a Suíça e a Alemanha. Fantástico!

Foto 3: Cordilheiras espanholas, vista aérea. F&MP, 2011.
Foto 4: Pôr-do-sol sobre as Cordilheiras da Espanha. F&MP, 2011.
     Enfim, Praga! Chegamos às 22h30min (hora local). Felizmente, o nosso temor de malas extraviadas não se confirmaram, já que se trata de um episódio não raro em situações de conexão, a exemplo de dois relatos trágico-cômicos de dois viageiros, um rapaz italiano e uma senhora portuguesa.

Foto 5: o sorriso indelével de Paulinha submetido aos 2 graus de Praga. F&MP, 2011.

Foto 6: aeroporto de Praga. F&MP, 2011.
     Tratando-se de uma língua quase que intransponível para os nossos padrões morfossintáticos, garantimos ainda no Brasil, um traslado para o Hotel onde ficaremos hospedados. Como se pode observar na placa indicativa de "saída" do aeroporto de Praga, a língua tcheca não é lá muito afeita a vogais como o nosso bom e velho português. Na Bahia então? Vogal é tudo!

Praga, República Tcheca. 17 de janeiro de 2011.


         Desembarcamos exaustos, é verdade, mas com uma vontade incontrolável de saborearmos linda Praga. Após o check-in no singelo e charmoso Hotel Salvator (Truhlarska 10, Prague 01, 110 00 Praga), no coração do Centro Histórico de Praga, fomos providenciar algo decente para comermos, pois já não aguentávamos mais a "refeição" servida nos aviões. Por incrível que pareça, saciamos nossa fome num restaurante argentino à duas quadras do hotel, quase em casa!

Foto 7: restaurante de culinária tcheco-argentina (Casa Argentina) em Praga.  F&MP, 2011.
     Depois de matarmos que estava nos matando (risos), vamos descansar o corpo, pois vamos precisar dele no dia seguinte para o dia inteiro de caminhada na cidade, pois se há um excelente meio de transporte em Praga, esse se chama PÉS. Ah, mais duas quadras de muito frio, como podemos esquecer desse detalhe?

Foto 8: Indelével e com frio dessa vez. Também pudera!

Foto 9: confesso que já estou sem graça de cansaço!